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Eleições 2026: recorde de candidaturas indígenas, diz Apib

ResumoA Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou 191 candidaturas indígenas nas Eleições 2026, recorde desde 2014. O número supera o pleito de 2022 em quase 3%, evidenciando a ampliação da participação política dos povos originários no país.

Levantamento da Apib aponta 191 candidaturas indígenas nas Eleições 2026, recorde desde 2014. Número supera 2022 em quase 3% e reflete ampliação da participação dos povos originários.

Osmar Pereira da Mata
Por Osmar Pereira da MataColunista de Política Externa
Brasília · 20 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Eleições 2026: recorde de candidaturas indígenas, diz Apib

As Eleições 2026 registrarão o maior número de candidaturas indígenas da história do Brasil, segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Até esta segunda-feira (17), 191 postulantes declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que descendem de povos originários, um total que representa menos de 1% dos 20.506 pedidos de registro contabilizados pela corte.

O número é recorde desde 2014, quando o TSE passou a exigir dados de cor e raça dos candidatos. Comparado às últimas eleições gerais, o crescimento é de quase 3% sobre as 186 candidaturas de 2022 e de aproximadamente 125% sobre as 85 de 2014. Para a Apib, o avanço contínuo eleição após eleição é fruto e expressão da "caminhada histórica de resistência e de cobrança" dos povos originários por espaço e respeito.

Os candidatos vêm de 26 das 27 unidades da federação e representam os seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. A Amazônia Legal concentra 80 candidaturas (42% do total); o Sudeste tem 36; o Nordeste, 34; o Centro-Oeste, 27; e o Sul, 14. Os dados do TSE apontam 64 etnias diferentes, com destaque para os Macuxi, de Roraima, com 13 candidaturas, seguidos pelos Guarani Kaiowá, com 12 em Mato Grosso do Sul.

O levantamento também mostra aumento de candidatos a deputado federal, de 59 em 2022 para 75 em 2026. Entre as mulheres, embora o número absoluto tenha recuado de 85 para 84, elas representam 44% das candidaturas indígenas, proporção bem acima da média geral de 35%. Desde 2014, o total de mulheres indígenas nas eleições gerais cresceu cerca de 190%.

"Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil", avalia um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena, realizada pela Apib. Alana Manchineri, também da coordenação, afirma que o avanço "carrega a força das mulheres que organizam as lutas nos territórios". A Apib e organizações regionais apoiam 54 candidaturas construídas a partir da base do movimento, com o slogan "Nosso Território, Nossa Vida".

De fora, o que se vê é um movimento que amadurece: a presença indígena nas urnas deixa de ser episódica e vira tendência estrutural. Ainda que o número represente fração mínima do total de candidatos, a diversidade de etnias e a capilaridade territorial indicam uma articulação que parte das comunidades, não de cúpulas partidárias. O desafio agora é transformar presença em bancada efetiva, o que dependerá do financiamento de campanha e do apelo local de cada nome.

Para parceiros externos que acompanham a democracia brasileira, o dado reforça a leitura de um sistema político que, lentamente, incorpora vozes historicamente marginalizadas. O recorde de 2026 não garante vitórias, mas altera o ponto de partida: o debate sobre representatividade ganha lastro numérico e territorial, e a cobrança por participação efetiva nos rumos do país passa a ter nome, etnia e bioma.

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