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Candidaturas negras avançam e se aproximam do perfil racial do país

ResumoAs Eleições 2026 registram 49,8% de candidaturas negras, percentual que se aproxima dos 55,5% da população brasileira. O avanço numérico, porém, não elimina desigualdades estruturais: o financiamento de campanha e a sub-representação feminina negra permanecem como barreiras críticas para a efetiva paridade racial no pleito.

Candidaturas negras chegam a 49,8% do total nas Eleições 2026, aproximando-se do perfil racial do país (55,5%). Mas financiamento e gênero ainda travam avanço.

Lívia Andrade Quintela
Por Lívia Andrade QuintelaJurista de Direito Eleitoral
Brasília · 26 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Candidaturas negras avançam e se aproximam do perfil racial do país

As candidaturas negras avançam nas Eleições 2026 e se aproximam do perfil racial do país. Levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e da consultoria CommonData, com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou que 49,8% dos candidatos se autodeclaram pretos ou pardos. Na população, esse grupo representa 55,5% dos brasileiros.

Entre os 20.448 nomes válidos até 16 de agosto, 10.191 são de pessoas negras: 2.789 pretas (13,6%) e 7.402 pardas (36,2%). Na população, os percentuais são 10,2% e 45,3%, respectivamente. Em 2022, as candidaturas negras somavam 35,5%.

O avanço, porém, não veio acompanhado de recursos. A Emenda Constitucional nº 133, de 2024, alterou a distribuição proporcional da cota. A assessora do Inesc, Carmela Zigoni, explica: "Se antes um partido tinha 50% de candidaturas negras, ele deveria repassar 50% para elas, e agora mesmo com 50% de candidaturas, o percentual é 30% do recurso." Ela ressalta que a presença nas listas deve ser analisada junto com o acesso efetivo a financiamento, estrutura de campanha e tempo de propaganda. Também destaca a importância de bancas de heteroidentificação para evitar fraudes nas cotas raciais.

Os dados parciais indicam que o avanço em gênero não seguiu a mesma proporção. Homens brancos seguem como maior grupo isolado, com 6.688 candidaturas (32,7%). Homens pardos vêm em seguida, com 4.917 (24,1%); mulheres brancas, com 3.271 (16%); e mulheres pardas, com 2.485 (12,2%). Mulheres pretas somam 1.234 candidaturas (6%), e homens pretos, 1.555 (7,6%).

A participação de mulheres cresceu apenas 1%. A de mulheres negras avançou somente 0,5%. Entre as 7.116 mulheres candidatas, 3.719 (52,2%) são negras, sendo 2.485 pardas e 1.234 pretas. As mulheres negras representam 18,2% de todas as candidaturas, ante 17,3% em 2022. Já os homens negros recuaram de 32,3% para 31,7%.

Carmela Zigoni aponta "retrocessos", como a redução de mulheres candidatas ao Senado e de homens negros candidatos. Ela também registra "redução no ritmo de crescimento da participação das pessoas negras". O levantamento ainda mostra 191 candidaturas indígenas (0,9%) e 212 quilombolas (1%), com equilíbrio de gênero entre quilombolas: 110 homens e 102 mulheres.

Os resultados integrais saem no final de setembro. Para quem está em campanha, o recado é direto: a norma mudou, e o cálculo de repasse de recursos para cotas raciais agora segue a EC 133/2024. Quem não atualizar o planejamento financeiro pode ver a verba encolher no meio do pleito. Em ano eleitoral, prazo não espera ninguém. regras de financiamento de campanha cota racial e heteroidentificação

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