Retirado do Facebook do professor com sua autorização.
O que responder diante do argumento (e do frame) “Também esta CPI vai Acabar em Pizza”?
O enquadramento é batidão e faz parte do padrão cético adotado pelo colunismo político acerca das instituições da política, principalmente dos parlamentos e dos partidos. Faz par com “político é tudo igual e é movido apenas pelo interesse próprio”.
Há muitas razões pelas quais CPIs NUNCA acabam em pizza, mas apresento apenas uma delas.Considere como pressuposto razoável que em democracias eleitorais com esfera pública forte e opinião pública livre os políticos precisam necessariamente de visibilidade e imagem públicas. Os políticos precisam conquistar cotas razoáveis de visibilidade em situação de extrema concorrência: competição por atenção mediática. E os políticos precisam conquistar e manter imagens públicas favoráveis (ou que lhes sejam convenientes): competição por imagem pública conveniente.
Ora, CPIs são grandes produtoras de visibilidade de atores políticos. Além de alimentar o fluxo da cobertura política por meses, criando marcas, heróis, bandidos, martelando nomes etc., produzem também ondas de cobertura intensa relacionadas a descobertas, reviravoltas e “guerra de declarações”. Além disso, CPIs são máquinas de devorar imagens públicas. E de devorá-las no palco, no centro da visibilidade pública. Quem tem uma imagem destroçada por um CPI, portanto, nunca mais a recupera. Isso tem ou não efeito sobre um ator que vive de imagem e visibilidade?
Perguntem a Demóstenes se ele acha que esta CPI vai terminar, para ele, com tapinhas nos ombros e partilha fraternal de pizza? A CPI não precisaria nem sequer produzir mais nada neste sentido: a imagem de Demóstenes é despedaçada nos telejornais da noite e nos diários impressos, again and again!, diante dos olhos da sociedade brasileira. Inócua? Ah, pois sim. CPI nos olhos dos outros é refresco.